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	<title>quecorralavoz.com &#187; QCLV Literaria</title>
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		<title>QCLV Literaria &#8211; &#8220;Comer, Rezar, Amar&#8221;, um livro que deve ser lido</title>
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		<pubDate>Thu, 09 Sep 2010 13:00:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Eliana André</dc:creator>
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		<category><![CDATA[QCLV Literaria]]></category>

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		<description><![CDATA[Ter tido uma adolescência e juventude divertidas, um casamento que foi bom, enquanto durou e que iria herdar um divórcio, um tanto quanto desastroso, onde as duas partes sofreriam, se machucariam e ficariam com algumas cicatrizes, esse é o relato da vida de Elisabeth Gilbert, que foi registrado no livro de sua própria autoria, ‘Comer, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a title="QCLV Literaria - &quot;Comer, Rezar, Amar&quot;, um livro que deve ser lido" href="http://quecorralavoz.com/livros/qclv-literaria-comer-rezar-amar-um-livro-que-deve-ser-lido/" target="_self"><img class="alignnone size-full wp-image-9221" title="quecorralavoz_comer_rezar_amar_topo" src="http://quecorralavoz.com/wp-content/uploads/2010/09/quecorralavoz_comer_rezar_amar_topo.jpg" alt="" width="500" height="180" /></a></p>
<p>Ter tido uma adolescência e juventude divertidas, um casamento que foi bom, enquanto durou e que iria herdar um divórcio, um tanto quanto desastroso, onde as duas partes sofreriam, se machucariam e ficariam com algumas cicatrizes, esse é o relato da vida de Elisabeth Gilbert, que foi registrado no livro de sua própria autoria, ‘<strong>Comer, Rezar, Amar</strong>’.</p>
<p>Só que muita coisa acontece na vida de <strong>Liz Gilbert</strong>. Ela, norte americana, uma mulher bem sucedida, inteligente, moderna que, após seu divórcio entra em depressão, fica perturbada e seus sentimentos ficam perdidos. É a partir daí, que decide dar a volta por cima. Resolve viajar durante um ano, em busca de uma recuperação pessoal. Então, opta em ir à Itália, Índia e Indonésia e passar quatro meses em cada país.<span id="more-9208"></span></p>
<p>Liz soube aproveitar cada momento dessa inesquecível viagem. Na Itália, se dedicou à língua nativa do país, fez novos amigos e se aprofundou na gastronomia da região, conhecendo as delícias que lhe foram apresentadas. Mas não foi dessa vez, que conseguiu se desvencilhar da vida que tinha acabado de deixar para trás.</p>
<p>Ao chegar à Índia, Liz teve um destino certo, um ashran (local de meditação na Índia, onde têm pessoas de todo canto do mundo) indicado por sua Guru de Nova Iorque. Lá, ela ficou os quatro meses, completamente, sem contato externo, seus amigos eram as pessoas que também estavam à procura de uma resposta. O seu tempo era ocupado por muitas meditações, aulas de yoga e tarefas domésticas do ashran. Nesse local, Liz encontrou a resposta que tanto queria, sabia que a partir daí, sua vida mudaria.</p>
<p>Faltavam apenas quatro meses para terminar a sua jornada de descobertas. Então partiu para a Indonésia, para ser mais precisa, Bali. Esse lugar ela já tinha visitado antes, a trabalho. Na Indonésia, Liz pôde voltar à casa de um chaman (uma espécie de guru) que já conhecia, teve a oportunidade de ajudar uma mulher e suas filhas. E também já estava preparada para amar novamente, com algumas dúvidas, mesmo assim, se entregou de corpo e alma a um novo relacionamento, onde encontrou segurança e conforto nos braços de um brasileiro, que trabalhava com pedras preciosas e que já morava em Bali, há seis anos.</p>
<p>Conclusão, por mais que a vida tenha sido dura e difícil e por muitas vezes acharmos que nada de bom acontecerá para curar as feridas, pense que nada está perdido. Se dermos uma nova chance, poderemos encontrar respostas para tanto sofrimento, seja em novos lugares ou em pessoas que se comprometam a nos ajudar. Esteja disposto (a) e aberto a novas possibilidades, pois só assim, encontrará novamente a felicidade.</p>
<p>Em outubro, o filme baseado nesse livro ‘<strong>Comer, Rezar, Amar</strong>’, chega aos cinemas do Brasil. Veja trailler, com a atriz <strong>Julia Roberts</strong></p>
<p><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="500" height="306" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/cji7pUWhBi8?fs=1&amp;hl=pt_BR" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="500" height="306" src="http://www.youtube.com/v/cji7pUWhBi8?fs=1&amp;hl=pt_BR" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object></p>
<p><em>Eliana André</em></p>
<p><strong>Abasteça-se</strong></p>
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		<title>QCLV Literaria &#8211; Fernando Pessoa e a origem dos heterônimos</title>
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		<pubDate>Wed, 25 Aug 2010 13:25:49 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Renata Carreon</dc:creator>
				<category><![CDATA[Livros]]></category>
		<category><![CDATA[Fernando Pessoa]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[QCLV Literaria]]></category>

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		<description><![CDATA[“Desde criança tive a tendência para criar em meu torno um mundo fictício, de me cercar de amigos e conhecidos que nunca existiram. (Não sei, bem entendido, se realmente não existiram, ou se sou eu que não existo. Nestas cousas, como em todas, não devemos ser dogmáticos.)” [Fernando Pessoa em carta a Casais Monteiro] Escrever [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a title="QCLV Literaria - Fernando Pessoa e a origem dos heterônimos" href="http://quecorralavoz.com/livros/qclv-literaria-fernando-pessoa-e-a-origem-dos-heteronimos/" target="_self"><img class="alignnone size-full wp-image-9038" title="quecorralavoz_fernando_pessoa_e_a_origem_dos_heteronimos_topo" src="http://quecorralavoz.com/wp-content/uploads/2010/08/quecorralavoz_fernando_pessoa_e_a_origem_dos_heteronimos_topo.jpg" alt="" width="500" height="180" /></a></p>
<p>“<em>Desde criança tive a tendência para criar em meu torno um mundo fictício, de me cercar de amigos e conhecidos que nunca existiram. (Não sei, bem entendido, se realmente não existiram, ou se sou eu que não existo. Nestas cousas, como em todas, não devemos ser dogmáticos.)</em>” [Fernando Pessoa em carta a Casais Monteiro]</p>
<p>Escrever um post sobre Fernando Pessoa é tarefa dificílima, já que ele não é um – é vários. Mas a ideia do post não é repetir o tão-já-sabido sobre ele e seus heterônimos. É ler trechos da carta a Adolfo Casais Monteiro. <span class="removed_link" title="http://www.pessoa.art.br/?p=24">LEIA AQUI</span> . Acredito que a leitura da carta torna o autor ainda mais apaixonante – mesmo sabendo que ela pode ser apenas uma “simulação” (palavra que usa tantas vezes), uma máscara.<span id="more-9036"></span></p>
<p>Na carta, Pessoa tenta responder, verdadeiramente ou não – nunca se saberá &#8211; às perguntas a respeito da origem de seus heterônimos. Assim, o autor remonta sua infância até seu primeiro “conhecido inexistente” Chevalier de Pas, com quem trocava cartas. “<em>E assim arranjei, e propaguei, vários amigos e conhecidos que nunca existiram, mas que ainda hoje, a perto de trinta anos de distância, oiço, sinto, vejo. Repito: oiço, sinto, vejo… E tenho saudades deles.</em>”</p>
<p>Conta de maneira absolutamente frenética (“<em>estou escrevendo depressa, e quando escrevo depressa não sou muito lúcido</em>”) como surgiram os <span style="text-decoration: line-through;">nossos</span> mais famosos heterônimos &#8211; Álvaro de Campos, Alberto Caeiro e Ricardo Reis: “<em>E o que se seguiu foi o aparecimento de alguém em mim, a quem dei desde logo o nome de Alberto Caeiro. Desculpe-me o absurdo da frase: aparecera em mim o meu mestre.</em>” E não só isso. Narra seus nascimentos e mortes, profissões e físico. “<em>Nesta altura estará o Casais Monteiro pensando que má sorte o fez cair, por leitura, em meio de um manicómio</em>”.</p>
<p>“<em>Seja como for, a origem mental dos meus heterônimos está na minha tendência orgânica e constante para a despersonalização e para a simulação. Estes fenómenos &#8211; felizmente para mim e para os outros &#8211; mentalizaram-se em mim; quero dizer, não se manifestam na minha vida prática, exterior e de contato com outros; fazem explosão para dentro e vivo-os eu a sós comigo</em>”.</p>
<p>Já ficou evidente que a leitura da carta toda é necessária (e excelente!).<span style="text-decoration: line-through;"> Mais que isso eu acabaria por estragar a genialidade do autor e da carta.</span> Carta que na dúvida se verdadeira ou se máscara, traduz, por fim, toda essas personalidades que <strong>têm</strong> Pessoa dentro de si. Porque Pessoa <strong>têm</strong>. No plural. Plural como o universo.</p>
<p>“<em>A origem dos meus heterónimos é o fundo traço de histeria que existe em  mim. Não sei se sou simplesmente histérico, se sou, mais propriamente, um histero-neurasténico</em>.”</p>
<p><strong>Abasteça-se de museu </strong><strong><span style="text-decoration: underline;"><a href="http://www.museudalinguaportuguesa.org.br/">www.museudalinguaportuguesa.org.br</a></span> o/</strong></p>
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		<title>QCLV LITERARIA – Madame Bovary</title>
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		<pubDate>Thu, 27 May 2010 19:00:12 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Renata Carreon</dc:creator>
				<category><![CDATA[Livros]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[QCLV Literaria]]></category>

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		<description><![CDATA[“Emma não dormia, fingia estar adormecida e, enquanto ele cochilava ao seu lado, ela despertava para outros sonhos” Diferindo um pouco dos meus últimos posts – que se debruçaram sobre livros de autores contemporâneos &#8211; neste post e em mais dois, farei jus aos grandes clássicos. Para isso, não me fiz de rogada. Apelei para [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignnone size-full wp-image-7688" title="quecorralavoz_madame_bovary_topo" src="http://quecorralavoz.com/wp-content/uploads/2010/05/quecorralavoz_madame_bovary_topo.jpg" alt="" width="500" height="180" /></p>
<p>“<em>Emma não dormia, fingia estar adormecida e, enquanto ele cochilava ao seu lado, ela despertava para outros sonhos</em>”</p>
<p>Diferindo um pouco dos meus últimos posts – que se debruçaram sobre livros de autores contemporâneos &#8211; neste post e em mais dois, farei jus aos grandes clássicos. Para isso, não me fiz de rogada. Apelei para três livros apaixonantes e de autores que marcaram época, seja pela audácia, seja pela singularidade: <em>Madame Bovary</em> de Gustave Flaubert, <em>Primo Basílio</em> de Eça de Queirós e <em>Dom Casmurro</em> de Machado de Assis. Publicados no mesmo século e tendo por temática o adultério – ou a suspeita dele, os três livros prometem fazer com que qualquer leitor pense em (re)ler os grandes clássicos.<span id="more-7654"></span></p>
<p>Gustave Flaubert é um escritor francês que fez história. <em>Madame Bovary</em> foi considerado o livro fundador do realismo na França e, com isso, o iniciador do fim do romance romântico. A obra leva Flaubert no mesmo ano de sua publicação, em 1857, ao banco dos réus acusado de imoralidade.</p>
<p>O enredo é simples: Emma, uma linda e inteligente mulher, casa-se com um médico. Morando no interior da França e vivendo um casamento que nem de longe parecia com aqueles dos livros românticos que tanto lia, Emma passa a viver uma vida de tédio e angústia. É assim que se envolve com outros homens, o que lhe conferiu mais lágrimas e desilusões. O fascinante do livro é exatamente a construção desse enredo. Com construções psicológicas interessantes, Flaubert traz o leitor para a cama de Emma e seus amantes e, com isso, todas as suas dores, mágoas e anseios.</p>
<p>E a ruptura do livro é esta: tenta acabar com a imagem daquele amor romântico que dura para sempre e, nas palavras de Flaubert, fazer o retrato fiel da sociedade burguesa da época. Tanta audácia levou o autor a responder às acusações de “ofensa à moral pública e à religião” por sua “glorificação do adultério”. Na edição da Nova Alexandria é possível ler os autos do processo, do qual transcrevo um pequeno trecho da acusação:</p>
<p>“<em>Quem lê o romance do Sr. Flaubert? Serão homens que se ocupam de economia política ou social? Não! As páginas levianas de </em>Madame Bovary<em> caem em mãos mais levianas, nas mãos das moças, algumas vezes de mulheres casadas.</em>”</p>
<p>Mas com a brilhante defesa do advogado Sénard, o autor é absolvido. E fica consagrada a frase proferida por Flaubert nos tribunais “<em>Emma Bovary c’est moi</em>” (Emma Bovary sou eu). Assim, num livro intrigante e instigante, vemos uma mulher entediar-se com seu casamento e, por isso, dar um novo rumo à sua vida; rumo que está longe de ser feliz, pois num romance realista, a realidade não é nenhum pouco romântica. Dessa forma, termino o post convidando o leitor a mergulhar no universo interior de Emma e ler o que julgou-se “a glorificação do adultério”.</p>
<p><span style="text-decoration: line-through;"><em>Citação final: </em></span><strong><em>“Aquela ternura, de fato, crescia mais a cada dia com a repulsa que sentia pelo marido. Quanto mais se entregava a um mais execrava o outro; jamais Charles lhe parecera tão desagradável, quando estavam juntos, com dedos tão quadrados, o espírito tão pesado, as maneiras tão comuns quanto após seus encontros com Rodolphe.”</em></strong></p>
<p><strong><em><br />
</em></strong></p>
<p><em>No próximo post: O primo Basílio </em></p>
<p><strong>Abasteça-se de clássicos com Renata Carreon o/</strong></p>
]]></content:encoded>
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		<title>QCLV Literaria &#8211; Poemas de Carlos Drummond de Andrade</title>
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		<pubDate>Mon, 08 Mar 2010 15:00:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Renata Carreon</dc:creator>
				<category><![CDATA[Livros]]></category>
		<category><![CDATA[Poema]]></category>
		<category><![CDATA[QCLV Literaria]]></category>

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		<description><![CDATA[Amor é bicho instruído Olha: o amor pulou o muro o amor subiu na árvore em tempo de se estrepar. Pronto, o amor se estrepou. Daqui estou vendo o sangue que escorre do corpo andrógino. Essa ferida, meu bem às vezes não sara nunca às vezes sara amanhã. O post de hoje é um pouquinho [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em> </em></p>
<p style="text-align: left;"><a title="QCLV Literaria - Poemas de Carlos Drummond de Andrade" href="http://quecorralavoz.com/livros/qclv-literaria-poemas-de-carlos-drummond-de-andrade/" target="_self"><img class="alignnone size-full wp-image-5884" title="quecorralavoz_carlos_drummond_de_andrade_topo" src="http://quecorralavoz.com/wp-content/uploads/2010/03/quecorralavoz_carlos_drummond_de_andrade_topo.jpg" alt="" width="500" height="180" /></a></p>
<p style="text-align: center;"><em>Amor é bicho instruído<br />
Olha: o amor pulou o muro<br />
o amor subiu na árvore<br />
em tempo de se estrepar.<br />
Pronto, o amor se estrepou.<br />
Daqui estou vendo o sangue<br />
que escorre do corpo andrógino.<br />
Essa ferida, meu bem<br />
às vezes não sara nunca<br />
às vezes sara amanhã.</em></p>
<p>O post de hoje é um pouquinho diferente dos outros. Diferente porque embora seja <strong>Carlos Drummond de Andrade</strong>, não é sobre um livro específico. É uma antologia de poemas que eu adoro.</p>
<p><span id="more-5874"></span></p>
<p style="text-align: center;"><strong>Memória</strong></p>
<p style="text-align: center;"><em>Amar o perdido<br />
deixa confundido<br />
este coração.</em></p>
<p style="text-align: center;"><em>Nada pode o olvido<br />
contra o sem sentido<br />
apelo do Não.</em></p>
<p style="text-align: center;"><em>As coisas tangíveis<br />
tornam-se insensíveis<br />
à palma da mão</em></p>
<p style="text-align: center;"><em>Mas as coisas findas<br />
muito mais que lindas,<br />
essas ficarão.</em></p>
<p>Com poemas saudosos de sua cidade natal <strong>Itabira</strong>, políticos, eróticos, com humor, com morte, com pedras. De uma linguagem cativante e rimas ricas de inteligência, <strong>Drummond </strong>trouxe a poesia ao povo. Trouxe poema e poesia.</p>
<p style="text-align: center;"><strong>Poema de sete faces</strong></p>
<p style="text-align: center;"><em>Quando nasci, um anjo torto<br />
desses que vivem na sombra<br />
disse: Vai, Carlos! ser gauche na vida.</em></p>
<p style="text-align: center;"><em> </em></p>
<p style="text-align: center;"><em>As casas espiam os homens<br />
que correm atrás de mulheres.<br />
A tarde talvez fosse azul,<br />
não houvesse tantos desejos.</em></p>
<p style="text-align: center;"><em> </em></p>
<p style="text-align: center;"><em>O bonde passa cheio de pernas:<br />
pernas brancas pretas amarelas.<br />
Para que tanta perna, meu Deus, pergunta meu coração.<br />
Porém meus olhos<br />
não perguntam nada.</em></p>
<p style="text-align: center;"><em> </em></p>
<p style="text-align: center;"><em>O homem atrás do bigode<br />
é sério, simples e forte.<br />
Quase não conversa.<br />
Tem poucos, raros amigos<br />
o homem atrás dos óculos e do bigode.</em></p>
<p style="text-align: center;"><em> </em></p>
<p style="text-align: center;"><em>Meu Deus, por que me abandonaste<br />
se sabias que eu não era Deus,<br />
se sabias que eu era fraco.</em></p>
<p style="text-align: center;"><em> </em></p>
<p style="text-align: center;"><em>Mundo mundo vasto mundo<br />
se eu me chamasse Raimundo<br />
seria uma rima, não seria uma solução.<br />
Mundo mundo vasto mundo,<br />
mais vasto é meu coração.</em></p>
<p style="text-align: center;"><em> </em></p>
<p style="text-align: center;"><em>Eu não devia te dizer<br />
mas essa lua<br />
mas esse conhaque<br />
botam a gente comovido como o diabo.</em></p>
<p>Nascido em 1902, <strong>Carlos Drummond de Andrade</strong> morre de uma paixão fulminante aos 82 anos. Depois de ver seus pais morrerem, sua esposa, seu filho recém-nascido e sua filha querida, Drummond pede a um cardiologista que apenas lhe receite um infarto fulminante. Doze dias depois morre numa clínica de mãos dadas com Lygia, sua amante há 35 anos, e quem disse a um jornalista que a “paixão foi fulminante”.</p>
<p style="text-align: center;"><strong>O enterrado vivo</strong></p>
<p style="text-align: center;"><em> </em></p>
<p style="text-align: center;"><em><span class="removed_link" title="http://www.memoriaviva.com.br/audio/enterrado.mp3"></span>Sempre no passado aquele orgasmo,<br />
Sempre no presente aquele duplo,<br />
Sempre no futuro aquele pânico.</em></p>
<p style="text-align: center;"><em> </em></p>
<p style="text-align: center;"><em>Sempre no meu peito aquela garra.<br />
Sempre no meu tédio aquele aceno.<br />
Sempre no meu sono aquela guerra.</em></p>
<p style="text-align: center;"><em> </em></p>
<p style="text-align: center;"><em>Sempre no meu trato o amplo distrato.<br />
Sempre na minha firma a antiga fúria.<br />
Sempre no mesmo engano outro retrato.</em></p>
<p style="text-align: center;"><em> </em></p>
<p style="text-align: center;"><em>Sempre nos meus pulos o limite.<br />
Sempre nos meus lábios a estampilha.<br />
Sempre no meu não aquele trauma.</em></p>
<p style="text-align: center;"><em> </em></p>
<p style="text-align: center;"><em>Sempre no meu amor a noite rompe.<br />
Sempre dentro de mim meu inimigo.<br />
E sempre no meu sempre a mesma ausência.</em></p>
<p><em> </em></p>
<p><em> </em></p>
<p><span style="text-decoration: line-through;"><br />
</span></p>
<p><span style="text-decoration: line-through;">Poemas recitados pelo próprio Drummond</span>: <span class="removed_link" title="http://www.memoriaviva.com.br/drummond/index2.htm">Clique Aqui</span></p>
<p><strong>Abasteça-se de poesia o/</strong></p>
]]></content:encoded>
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		<title>QCLV Literaria &#8211; Memória de minhas putas tristes</title>
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		<pubDate>Wed, 24 Feb 2010 12:00:24 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Renata Carreon</dc:creator>
				<category><![CDATA[Livros]]></category>
		<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[QCLV Literaria]]></category>

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		<description><![CDATA[“No ano de meus noventa anos quis me dar de presente uma noite de amor louco com uma adolescente virgem. Lembrei de Rosa Cabarcas, a dona de uma casa clandestina que costumava avisar aos seus bons clientes quando tinha alguma novidade disponível.” Gabriel García Márquez é um escritor colombiano renomado e ganhador do Prêmio Nobel [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://quecorralavoz.com/wp-content/uploads/2010/02/quecorralavoz_gabriel_garcia_marquez_topo.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-5089" src="http://quecorralavoz.com/wp-content/uploads/2010/02/quecorralavoz_gabriel_garcia_marquez_topo.jpg" border="0" alt="" width="500" height="150" /></a></p>
<p style="text-align: left"><em>“No ano de meus noventa anos quis me dar de presente uma noite de amor louco com uma adolescente virgem. Lembrei de Rosa Cabarcas, a dona de uma casa clandestina que costumava avisar aos seus bons clientes quando tinha alguma novidade disponível.”</em></p>
<p style="text-align: left">Gabriel García Márquez é um escritor colombiano renomado e ganhador do Prêmio Nobel de Literatura em 1982 com a obra-prima “Cem anos de Solidão”. Em 2004, Márquez reafirma sua grandeza e bom humor com o livro <em>Memória</em> <em>de minhas putas tristes.<span id="more-5063"></span></em></p>
<p style="text-align: left"><em><a href="http://quecorralavoz.com/wp-content/uploads/2010/02/Memória-de-minhas-putas-tristes.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-5088" style="float: left;padding: 10px" src="http://quecorralavoz.com/wp-content/uploads/2010/02/Memória-de-minhas-putas-tristes.jpg" border="0" alt="" width="200" height="307" /></a>Memória</em> é a história de um cronista e crítico musical que no aniversário de noventa anos resolve presentear-se com uma noite de amor com uma adolescente virgem. Embora Rosa Cabarcas, dona do prostíbulo local e sua amiga de longa data, lhe arrume a jovem, quando o narrador entra no quarto e vê a jovem de quatorze anos a dormir, não tem coragem de acordá-la. Assim, vamos acompanhar a narrativa de um homem que  a vida inteira só teve mulheres por dinheiro:</p>
<p style="text-align: left"><em>“nunca me deitei com mulher alguma sem pagar, e as poucas que não eram do ofício convenci pela razão ou pela força que recebessem o dinheiro nem que fosse para jogar no lixo. (&#8230;) Até os cinquenta anos eram quinhentas e catorze mulheres com as quais eu havia estado pelo menos uma vez”.</em></p>
<p style="text-align: left">mas acaba por descobrir o amor no que ele julgava ser o fim da vida.</p>
<p style="text-align: left">Dessa forma, vamos refletir com o narrador todas as suas angústias em relação ao ofício de cronista de jornal, vamos fazer um panorama com ele de toda a sua vida e refletir sobre a idade e suas singularidades, repensar sobre o valor do tempo e de quanto valor atribuíamos a ele, acompanhar a vida amorosa-promíscua de alguém que tem de aprender a amar aos noventa anos e, assim, acompanhar todos os pensamentos e inquietações de um narrador muito peculiar.</p>
<p style="text-align: left">Além disso, o nosso “senhor’’ narra com muito bom humor a convivência com o primeiro gato de sua vida, o que gera reflexões pra lá de inteligentes e engraçadas, que me deixaram apaixonada pelo livro: <em>“e não consegui evitar o calafrio de estar sozinho na casa com um ser vivo que não era humano.”</em></p>
<p style="text-align: left">Assim, convido meus amigos-leitores-virtuais a deleitarem-se com uma obra repleta de bom humor, reflexões sobre idade, amor, sexo, amizade, trabalho, gatos (!)&#8230; Com uma linguagem que beira o primor mas sem deixar de ser simples, Gabriel García Márquez nos convida a essa viagem e prova mais uma vez o seu poder de sedução.</p>
<p style="text-align: left"><span style="text-decoration: line-through">Citação final e, creio eu</span>, a que mais instiga a ler o livro:</p>
<p style="text-align: left"><em><strong>&#8220;A única relação estranha foi a que mantive durante anos com a fiel Damiana. Era quase uma menina, mais para forte e xucra, de palavras breves e terminantes, que se movia descalça para não me estorvar enquanto eu escrevia. Recordo que eu estava lendo La lozana andaluza na rede do corredor, e a vi por acaso inclinada no tanque com uma saia tão curta que deixava a descoberto suas coxas suculentas. Presa de uma febre irresistível levantei-a por trás, baixei suas prendas até os joelhos e avancei pelos fundos. Ai, senhor, disse ela, com um queixume lúgubre, isso não foi feito para entrar, mas para sair. Um tremor profundo percorreu seu corpo, mas se manteve firme. Humilhado por tê-la humilhado quis pagar a ela o dobro do que custavam as mais caras daquele tempo, mas não aceitou nem um tostão, e tive que aumentar seu salário com o cálculo de uma montada por mês, sempre enquanto lavava roupa e sempre pela retaguarda.&#8221;</strong></em></p>
<p style="text-align: left"><strong>Abasteça-se de cultura literária com Renata Carreon! o/</strong></p>
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		<title>QCLV Literaria &#8211; AvóDezanove e o Segredo do Soviético</title>
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		<pubDate>Fri, 29 Jan 2010 23:33:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Renata Carreon</dc:creator>
				<category><![CDATA[Livros]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[QCLV Literaria]]></category>

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		<description><![CDATA[“-Estórias de antigamente é assim que já foram há muito tempo? -Sim, filho -Então antigamente é um tempo Avó? -Antigamente é um lugar. -Um lugar assim longe? -Um lugar assim dentro.” Ondjaki é um escritor angolano fã de escritores brasileiros. Com mais de dez publicações no currículo e apenas 33 anos, o autor se destaca [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://quecorralavoz.com/wp-content/uploads/2010/01/qclv_literaria_topo.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-4743" title="qclv_literaria_topo" src="http://quecorralavoz.com/wp-content/uploads/2010/01/qclv_literaria_topo-e1266707128706.jpg" alt="" width="500" height="134" /></a></p>
<p style="text-align: center;"><em>“-Estórias de antigamente é assim que já foram há muito tempo?<br />
-Sim, filho<br />
-Então antigamente é um tempo Avó?<br />
-Antigamente é um lugar.<br />
-Um lugar assim longe?<br />
-Um lugar assim dentro.”<span id="more-4724"></span><br />
</em></p>
<p style="text-align: left;"><em><span style="font-style: normal;"><img class="alignnone size-full wp-image-4746" style="float: left; padding: 10px;" title="avodezanove_e_o_segredo_do_sovietico" src="http://quecorralavoz.com/wp-content/uploads/2010/01/avodezanove_e_o_segredo_do_sovietico.jpg" alt="" width="200" height="300" /></span></em></p>
<p><strong>Ondjaki</strong> é um escritor angolano fã de escritores brasileiros. Com mais de dez publicações no currículo e apenas 33 anos, o autor se destaca pelo lirismo da sua prosa e o tema da infância revisitada.</p>
<p>Assim, <strong>AvóDezanove</strong> <strong>e o Segredo do Soviético</strong>, publicado em 2008, tem  a perspectiva de uma criança: não é um narrador-criança que conta, e sim um narrador-adulto que revisita sua infância, dando-nos, então, o olhar infantil com que presenciou o narrado. Dessa forma, o narrador conta a história da PraiaDoBispo, em Luanda. Os soviéticos estão no lugar para construir um Mausoléu para o presidente e, por isso, derrubarão as casas de todos os moradores, incluindo a da <strong>AvóDezanove</strong> e seu neto-narrador.</p>
<p>O nosso menino, então, nos apresentará o seu amigo Pi-3,14, a AvóCatarina (morta ou viva?), o VendedordeGasolina – mas não tem gasolina no posto, o EspumaDoMar – que cria um jacaré no quintal (verdade ou mentira?), o Soviético Botardov e, finalmente, a <strong>AvóDezanove</strong> com “dezanove” dedos. Assim, revisitando a infância, o narrador nos traz o olhar doce e ingênuo de menino que quer explodir o Mausoléu para não sair da PraiaDoBispo.</p>
<p>Com a graça de criança e o humor de um adulto que olha para trás, AvóDezanove e o Segredo do Soviético é de uma linguagem impecavelmente bela: neologismos, português de Angola, invenções de menino, palavras em “cubano” e “português-soviético”. Linguagem, lirismo, mistura de gêneros, uma Avó viva-ou-morta, sonhos de criança, duas cartas que nunca chegaram, pontos autobiográficos, bomba de gasolina com água do mar e um jacaré.</p>
<p>E, é claro, o segredo do soviético.</p>
<p><strong>Abasteça-se de Cultuta Literaria com Renata Carreon</strong></p>
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		<title>QCLV Literaria &#8211; O Último voo do Flamingo</title>
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		<pubDate>Fri, 22 Jan 2010 23:04:01 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Renata Carreon</dc:creator>
				<category><![CDATA[Livros]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura]]></category>
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		<category><![CDATA[QCLV Literaria]]></category>

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		<description><![CDATA[Nada mais prazeroso do que ler numa tarde nublada um livro como O Último voo do Flamingo, de Mia Couto – publicado em 2000. Mia Couto é um consagrado escritor contemporâneo moçambicano. O escritor traz à cena as culturas tão singulares em África e retrata os problemas dos anos posteriores à Guerra Civil de Moçambique. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://quecorralavoz.com/wp-content/uploads/2010/01/quecorralavoz_ultimo_voo_do_flamingo_topo.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-4618" title="quecorralavoz_ultimo_voo_do_flamingo_topo" src="http://quecorralavoz.com/wp-content/uploads/2010/01/quecorralavoz_ultimo_voo_do_flamingo_topo-e1266705811785.jpg" alt="" width="500" height="134" /></a></p>
<p>Nada mais prazeroso do que ler numa tarde nublada um livro como <strong>O Último voo do Flamingo</strong>, de <strong>Mia Couto</strong> – publicado em 2000.</p>
<p><strong>Mia Couto</strong> é um consagrado escritor contemporâneo moçambicano. O escritor traz à cena as culturas tão singulares em África e retrata os problemas dos anos posteriores à Guerra Civil de Moçambique. Guerra que matou 16 milhões de pessoas e deixou pelo menos um milhão de mutilados (número que meu professor de Literaturas Africanas enfatizou durante todo o semestre).</p>
<p><span id="more-4616"></span></p>
<p>Apesar de ter como contexto histórico uma das mais cruéis realidades de Moçambique, o livro é bem-humorado e cheio de histórias fantásticas perpassadas pela crença de um povo. O livro é suspense: logo no começo já nos deparamos com um mistério: um pênis avulso. Assim mesmo! Um membro fálico sem o devido dono. Mais um boina-azul (soldado da ONU enviado a Moçambique para a “manutenção da paz”) havia explodido e a única coisa encontrada era o membro avultado.</p>
<p>A autoridade local então contrata o italiano Massimo Risi para investigar as explosões e o tradutor de línguas e costumes para acompanhá-lo. Sendo o tradutor também o narrador, vamos investigar junto com dupla se os boinas-azuis morrem-se ou se foram mortos. E com eles conheceremos personagens singulares como Temporina, que, tendo sido amaldiçoada, tem corpo de menina e rosto de velha; Ana Deusqueira, prostituta local que, sendo conhecedora dos atributos masculinos da região, é chamada para tentar identificar “a parte pelo todo”, ou seja, é chamada para tentar dar nome ao dono do membro; o pai do narrador-tradutor Sulplício e muitos outros.</p>
<p>Usando de metáforas, ironia, humor, e muita cultura da África (que se converte em realismo animista), <strong>Mia Couto</strong> nos traz uma obra intrigante, mas ao mesmo tempo doce, bem-humorada e política. Figuras de linguagem, neologismos, uma mulher que morre e vira louva-a-deus, um homem que antes de dormir pendura seus ossos na árvore, o estrangeiro em África, o africano em estrangeiro e, por fim, o último voo do flamingo.</p>
<p>O último voo do flamingo pode ser muitas coisas. Pode ser o fim do mundo. Pode ser o começo de um novo.</p>
<p><span style="text-decoration: line-through;"><strong>Reflexão final.</strong></span> Haiti. Onde há a presença dos boinas-azuis também (reparem!). Não estaríamos todos caminhando para o último voo do flamingo?</p>
<p><strong>Abasteça-se de literatura às sextas!</strong></p>
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		<title>QCLV Literaria &#8211; Dois Irmãos</title>
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		<pubDate>Fri, 15 Jan 2010 18:24:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Renata Carreon</dc:creator>
				<category><![CDATA[Livros]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura]]></category>
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		<description><![CDATA[Ainda seguindo a minha lista TOP FIVE, hoje eu trouxe a reflexão e os questionamentos sobre a obra Dois Irmãos, de Milton Hatoum. Hatoum é um escritor brasileiro contemporâneo e considerado um dos grandes escritores vivos do Brasil. Sua primeira obra – Relato de um Certo Oriente é considerada uma obra-prima. A segunda, Dois Irmãos, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><a title="QCLV Literaria – Dois Irmãos" href="http://quecorralavoz.com/plus/qclv-literaria-dois-irmaos/" target="_self"></a><a href="http://quecorralavoz.com/wp-content/uploads/2010/01/quecorralavoz_dois_irmaos_topo.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-4512" title="quecorralavoz_dois_irmaos_topo" src="http://quecorralavoz.com/wp-content/uploads/2010/01/quecorralavoz_dois_irmaos_topo-e1267843951281.jpg" alt="" width="500" height="134" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">Ainda seguindo a minha lista TOP FIVE, hoje eu trouxe a reflexão e os questionamentos sobre a obra <strong>Dois Irmãos</strong>, de <strong>Milton Hatoum</strong>.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Hatoum</strong> é um escritor brasileiro contemporâneo e considerado um dos grandes escritores vivos do Brasil. Sua primeira obra – <em>Relato de um Certo Oriente</em> é considerada uma obra-prima. A segunda, <em><strong>Dois Irmãos</strong></em>, só saiu onze anos depois – em 2000 &#8211; e fez bonito.<span id="more-4505"></span></p>
<p style="text-align: justify;"><em><strong>Dois Irmãos</strong></em> é um mergulho dentro de nossos pensamentos mais reprimidos. A história é centrada em dois irmãos – Yaqub e Omar – e a relação com os pais, a irmã, a empregada e o filho dela. Longe de ser um enredo simples, ele nos envolve por completo no que (creio eu) todos já imaginamos um dia: os pais fazem diferença entre os filhos? Assim, <em>Dois Irmãos</em> é a história de uma mãe que no momento do parto escolheu o filho preferido – Omar. Já adultos, Omar é o filho alcoólatra e violento, porém o querido, enquanto Yaqub é engenheiro, calado e misterioso. Os dois mantêm uma relação conflituosa que tem seu ápice quando Omar descobre que Yaqub casou-se com o amor deles (dos dois mesmo!) de infância. Além da relação  sugestivamente incestuosa com a irmã, ainda temos o mistério que ronda a paternidade de Nael, o filho da empregada. Um dos irmãos é o pai. Mas qual? Numa obra cheia de insinuações e de não-ditos, somos tomados pelas incertezas que Nael, o narrador, nos deixa.</p>
<p style="text-align: justify;">Em um livro em que o foco é a busca pela identidade do narrador, deparamo-nos também escolhendo um filho, escolhendo entre um dos dois irmãos. Escolha o seu preferido e aposte alto: quem é o pai de Nael?</p>
<p style="text-align: justify;">Por isso reafirmo que <em>Dois Irmãos</em>, ganhador do Prêmio Jabuti de melhor romance, é um mergulho fundo dentro dos nossos conceitos de família: insinuações de incesto, a escolha da mãe por um filho, o carinho de um avô, submissão, violência, ternura e sexo. E uma rede insinuante na varanda que leitor nenhum esquecerá.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;"><strong>Abasteça-se de literatura às sextas!</strong></p>
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		<title>QCLV Literaria &#8211; Ensaio sobre a Cegueira</title>
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		<pubDate>Thu, 07 Jan 2010 21:33:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Renata Carreon</dc:creator>
				<category><![CDATA[Livros]]></category>
		<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[QCLV Literaria]]></category>

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		<description><![CDATA[Para inaugurar a sessão, escolhi um dos livros da minha lista TOP FIVE: Ensaio sobre a Cegueira, de José Saramago. Não só porque o livro é muito bom. Mas também porque o filme é muito bom. Logo no segundo parágrafo nos deparamos com o grito desesperado “estou cego”. E, assim, a cegueira que invade os [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a title="QCLV Literaria – Ensaio sobre a Cegueira" href="http://quecorralavoz.com/plus/qclv-literaria-ensaio-sobre-a-cegueira/" target="_self"></a><a href="http://quecorralavoz.com/wp-content/uploads/2010/01/quecorralavoz_ensaio_sobre_a_cegueira_topo-e1266981730400.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-4357" title="quecorralavoz_ensaio_sobre_a_cegueira_topo" src="http://quecorralavoz.com/wp-content/uploads/2010/01/quecorralavoz_ensaio_sobre_a_cegueira_topo-e1266981730400.jpg" alt="" width="500" height="134" /></a></p>
<p>Para inaugurar a sessão, escolhi um dos livros da minha lista TOP FIVE: <strong>Ensaio sobre a Cegueira</strong>, de <strong>José Saramago</strong>. Não só porque o livro é muito bom. Mas também porque o filme é muito bom.</p>
<p>Logo no segundo parágrafo nos deparamos com o grito desesperado “estou cego”. E, assim, a cegueira que invade os olhos dos personagens como um mar de leite, espalha-se rapidamente: primeiro para os que têm contato com o primeiro cego e, logo depois, para toda a cidade. Trancados em um manicômio pelas autoridades, os cegos estão destinados a reaprender a viver em sociedade, lidando com a sujeira, o caos e o primitivismo. <span id="more-4352"></span>No meio de tantas cenas fortes de personagens tomados pela “cegueira branca”, o que nos chama a atenção é a única personagem da cidade (e do livro!) que não fica cega e, assim, a única que pode ver o ser humano passando do social ao estado de barbárie. São passagens fortes e chocantes que levam o leitor a repensar os seus valores e a fragilidade da sociedade a que está inserido. Mas vai além do imundo. Traz ao leitor a solidariedade frente ao desespero, a amizade além das aparências, o amor e companheirismo no casamento e, principalmente, a ajuda ao próximo sem nada pedir em troca.</p>
<p>O filme de <strong>Fernando Meirelles</strong> não fica abaixo. Com uma fotografia absurdamente fantástica, o filme é menos sujo, nojento e grotesco do que o livro, o que era uma preocupação de Saramago: não tornar o filme um horror comercial. E não faz por acaso: já li o livro há mais de um ano e as imagens da velha canibal e do estupro coletivo ainda me atormentam a alma. Mesmo sem essas cenas no filme, ele continua sendo impactante e, confesso, arrancando lágrimas e suspiros de tristeza, horror e compaixão.</p>
<p>O livro, que é do ganhador do <strong>Nobel de Literatura</strong>, <strong>José Saramago</strong>, não tem vampiros (que, meu Deus, parece ser a mais nova febre mundial!), casal bonitinho e nem um galã de olho azul. E é por isso que ele é muito bom: nos tira da nossa zona de conforto. Por este motivo, termino o post propondo a minha questão existencial sobre o livro:</p>
<p><strong>Porque só a mulher do médico não perde a visão?</strong></p>
<p><strong>Abasteça-se de cultura literaria!</strong></p>
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