Quem aí ainda frequenta bibliotecas levanta a mão. Posso não estar vendo vocês, caros leitores, mas arrisco um palpite. No máximo, creio que os leitores universitários precisem dar um rolê pela biblioteca de vez em quando. Aqueles que já se formaram, acho que visitam no máximo a livraria dos shoppings. Os chamados hipsters, um sebo ou dois. Não me levem a mal. Podem ser palpites presunçosos e sem nenhum embasamento científico. Mas a maioria vai concordar comigo quando digo que nós, os brasileiros em geral, não valorizamos os livros e bibliotecas e livrarias e afins como deveríamos.

Segundo uma pesquisa recente feita pelo Ibope Inteligência, a média anual de livros lidos por brasileiros é de 2,1. Chegou-se à conclusão também de que 75% da população nunca frequentou uma biblioteca. Mas nem quero entrar nessa discussão. Até porque, a gigantesca discrepância que existe no Brasil é bem clara e vista por todos nós.

Não é querendo fazer propaganda política nem nada. Acontece que o governo do estado de São Paulo investe horrores em kits escolares contendo 3 livros – muito bons, diga-se de passagem – e distribui para todos os alunos das escolas de rede estadual. Infelizmente, já vi diversos alunos sequer abrirem o kit, jogando-o diretamente no lixo mais próximo. A intenção é boa, mas a realidade desses alunos não os leva a dar o devido valor aos livros. E não culpo esses alunos. Como disse um amigo, é a mesma coisa do que entregar caviar para alguém que mora na roça. Esse alimento não faz parte do cardápio dessas pessoas. E é a mesma coisa com os livros.

Apesar de termos uma literatura riquíssima e com obras bastante traduzidas, são poucos os brasileiros que não tem conhecimento de tamanho tesouro nacional. O problema vai além do acesso. A questão é torná-los algo natural e intrínseco à vida de cada um. Conheço muita gente estudada cujos hábitos de leitura não passam de e-mails ou SMS.

Aí veio a internet e muita gente pôde ter acesso a vários livros. Teve gente que até achou que a internet iria colocar um fim nos livros impressos. Porém, dá pra ver que era mera especulação. Nunca se produziu tantos livros como hoje. Há quem prefira ler pela tela de um computador. Há quem nunca abandonará o gostinho de pegar num livro e folheá-lo com preguiça. Mas o debate não é esse. Peço desculpas pela divagação…

Apresso-me e vou logo para o fim. Mais do que obrigar um estudante a ler um livro. Mais do que presenteá-lo com um kit. Mais do que comprar um livro indicado por algum TOP 5 dos mais vendidos. Mais do que construir bibliotecas. É preciso incentivar o hábito da leitura o quanto antes. A Bienal tá aí. Uma bela oportunidade pra saber o que está rolando neste universo tão majestoso oferecido pelos livros.

Livros tem o poder de mudar o mundo? Ô.

Finalizo com uma frase que dizem ser do poeta Mário Quintana: “Livros não mudam o mundo, quem muda o mundo são as pessoas. Os livros só mudam as pessoas”. E quem é que quer viver sem mudar uma só vírgula na própria existência?

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