QCLV acompanha, e até participa, de peça “A Brava”, em Nova Odessa

Publicado em 7 de julho de 2009 por Mirela Leme

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Além de apoiar e divulgar a cultura, inclusive de Nova Odessa, nós do QCLV fazemos questão de participar dos eventos culturais que postamos. No último sábado, dia 4, parte do time QCLV, no caso eu, Pepê, Fernando e Alda (a grande mãe do site), acompanhamos a peça “A Brava”, que aconteceu no Convívio Municipal, em frente à Prefeitura de Nova Odessa.

Podemos dizer, com absoluta certeza, falo por mim e tenho propriedade para falar por eles, já que continuamos empolgados com o teatro e com a “Brava Companhia” até agora, que fomos um dos poucos sortudos a nos abastecer da cultura que o grupo trouxe até o interior. Sortudos porque, em uma cidade com quase 50 mil habitantes, somos alguns dos 50 expectadores que passaram e permaneceram no local até o fim, e que aplaudimos, até que a mão doesse, um espetáculo de extrema qualidade.

A excitação com a peça continua até agora por diversos motivos, entre eles, que não precisamos ir até São Paulo, ou Rio de Janeiro para acompanhar, que fique frisado que gratuitamente, a melhor peça de todas as nossas vidas. Os atores vieram até nós, sem grandes luxos, mas com um figurino e cenário perfeito, um espetáculo perfeito.

“A Brava” é a adaptação da história de Joana d’Arc, que assumo, sabia bem pouco, aliás, a guerreira era conhecida com pelo nome que a peça leva. E que fique bem explicado, “A Brava” vem de bravura, de coragem, de ousadia, que é o que o espetáculo mostra que foi Joana d’Arc.

“Inspirado na história de Joana D’Arc. E em nossa história”, diz o marcador de livros que foi presenteado pela companhia aos presentes. O espetáculo é encenado pelos atores Fábio Resende, que também é o diretor, Márcio Rodrigues, Ademir de Almeida e Rafaela Carneiro. A atriz é a única que tem apenas uma personagem durante toda a peça. É Joana d’Arc, enquanto os outros três atores encenam, em pouco mais de uma hora de peça, mais de dez outros personagens.

A peça é inteligente e engraçada ao mesmo tempo, os atores misturam música, de autoria própria, que me remetem à Cordel do Fogo Encantado e incluem temas atuais, como foco no que está acontecendo na cidade, no Brasil ou no mundo, entre as cenas. E como espetáculo de rua, atende à expectativa de interação com o público. Do QCLV, quem foi chamado para a roda foi o Pepê, o mais tímido de nós. E ele até cantou.

“Em 1431 o trono francês fez as acusações contra Joana d’Arc. Em 1456 as acusações contra ela foram retiradas, mas ela já estava morta. Em 1920, a mesma Igreja que queimou a heroína viva, a canonizou como Santa. Desde 2007, um grupo chamado ‘A Brava Companhia’ resolveu se apropriar de sua história, não para torná-la Santa, mas para difundir sua inquietação através do teatro”, contaram, em coro, os atores ao público presente.

Após a encenação, nós do QCLV tivemos a oportunidade de conversar um pouco com os atores, que contaram um pouco mais sobre a companhia e sobre a peça.

Tema

Segundo o ator e diretor da peça, Fábio Resende, a escolha de Joana d’Arc para o tema da peça, em 2007, veio de uma vontade que o grupo tinha. “Enfrentávamos um momento difícil, em que tínhamos nossas próprias buscas e resolvemos nos apropriar da história para a metáfora da ‘Brava’. A peça vem com aquela coisa de improviso, como um jogo e com trabalho corporal”, contou Resende.

Influência

Entre as influências do grupo, Resende destacou o trabalho do dramaturgo alemão Bertold Brecht (1898-1956), além de outros grupos de teatro. “Nos espelhamos em grupos que estão do nosso lado, que não tenham só atores encenando uma peça, que fazem uma pesquisa de teatro continuada, diferente do teatro comercial”, disse o ator e diretor.

Equipe

A peça, criada para ser encenada como é, ao ar livre, e não em espaços convencionais, hoje conta com uma equipe de sete pessoas. No início eram só os quatro atores e a produtora Kátia Alves. “A Brava” tem a direção de Fábio Resende, tem no elenco Rafaela Carneiro, Márcio Rodrigues, Fábio Resende e Ademir de Almeida, a dramaturgia é da “Brava Companhia”, o figurino de Ligia Passos e Karla Maria Passos, o cenário de Fábio Resende, Márcio Rodrigues e Mundano. Já a produção é de Kátia Alves, Luciana Gabriel e Maxwell Raimundo.

Próxima peça

Os atores nos contaram que já tem uma nova peça no cronograma do grupo. O espetáculo, que também vai ser de rua, para espaços não convencionais, vai se chama “O Errante” e deve ser lançada pelo grupo no mês de novembro. A intenção do QCLV é que possamos mais uma vez poder assistir, em Nova Odessa, com um público maior, cheio de gente realmente interessada em cultura, ou em qualquer outro lugar, a “Brava Companhia”.

Para conhecer mais sobre o grupo, o site da companhia é o blogdabrava.blogspot.com

Abasteça-se! E traga gente junto!

Mirela Leme.

Obs: As fotos são da amiga jornalista, artista, decoradora de festas infantis e blogueira  Luciana de Luca.

Leia-se www.ludeluca.blogspot.com e www.ratchimbum.blogspot.com

Autor

Mirela Leme

Mirela Leme, 25 anos, jornalista, apaixonada por cultura e todas as suas vertentes. É tagarela e sim, se apaixona fácil, pelas coisas e pelas pessoas. O apelido dela é Pipi, e ela adora que a chamem assim. Tem convicção que todo mundo pode influenciar as pessoas a serem mais cultas.

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